Sónia Tavares

The Gift

Sónia Tavares é considerada uma das artistas mais multifacetadas do panorama nacional.

Nascida em Alcobaça, a 11 de Março de 1977, Sónia Tavares é uma das figuras mais singulares e magnéticas da música portuguesa contemporânea. Cantora, intérprete e criadora de universos, é a voz e a alma dos The Gift, banda que, desde os anos 90, tem levado de Alcobaça ao mundo um som inconfundível — entre o pop e o experimental, entre a emoção e a estética, sempre fiel à inquietação artística que os move.

Mas Sónia é muito mais do que a sua banda. A sua voz, inconfundível e intensa, tem sido presença luminosa em múltiplos projetos que marcam o panorama musical português. A Rodrigo Leão emprestou a sua voz e sentimento a temas como A Casa ou Deep Blue, numa cumplicidade artística que uniu a delicadeza da composição à força da sua interpretação. Com os Cool Hipnoise, experimentou novos territórios sonoros, revelando a sua versatilidade e a curiosidade permanente que definem o seu percurso.

Em 2009, Sónia deu um passo que se tornou símbolo de uma geração ao integrar este projecto. 
No disco Amália Hoje, a sua voz rasgou fronteiras, cruzando a tradição com a modernidade, a devoção com a reinvenção.

Para além da música, Sónia é também um ícone de estilo e atitude. Com uma presença forte e andrógina, fez da imagem uma extensão da sua arte — capaz de ser teatral, provocadora e, ao mesmo tempo, profundamente humana.

Ao longo dos anos, a sua voz também encontrou espaço na televisão: foi jurada e mentora em programas como Factor X, A Máscara e The Voice Portugal, sempre com a franqueza e o carisma que lhe são naturais.

Em Sónia Tavares, o fado reencontrou o futuro. A sua voz transporta a intensidade de Amália, mas fala uma linguagem nova — feita de eletricidade, sentimento e arte. Ela não apenas canta: transforma, recria e eterniza. Porque Sónia é isso mesmo — uma intérprete que não repete, mas renasce, sempre que a música a chama.

Sempre achei graça, quando o Nuno me dizia que a minha costela de Amália de vez em quando se revelava. Coincidência das coincidências, depois de tantos anos, pede-me para dar voz àquela que insistia em fazer parte de mim… Nunca hesito quando me lança um desafio, a confiança é tanta que nenhum dos meus medos lhe faz frente e qualquer insegurança se torna irrelevante perante a força das suas palavras. Os outros chegaram. São diferentes de mim. Na vivência, na cor, nas palavras. Olho-os curiosa. O Nuno descansa-me. Afinal tinha razão. Desconstruimos aquilo que parecia ser impossível desconstruir, como se tivéssemos crescido juntos, como se toda a vida tivéssemos rido das mesmas coisas, apreciado o mundo de forma igual para voltarmos a construir à nossa maneira. Quebra-se o mito… Gostava que pelos nossos olhos pudessem ver a beleza que nós encontrámos e que, pela nossa voz pudessem gritar “…que lindeza tamanha…”

-- sónia tavares

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