Paulo Praça

Paulo Praça é músico e cantor, conhecido de projectos musicais como Turbo Junkie, Plaza e Grace.

Músico, cantor e compositor, Paulo Praça é uma presença singular da música portuguesa contemporânea, capaz de unir a literatura à música com a naturalidade que lhe é característica. Ao longo da sua carreira tem navegado entre projetos diversos — das bandas Plaza, Turbo Junkie e Grace, até à intimidade dos álbuns a solo —, sempre com um olhar atento à tradição e à inovação.

Em 2007, lançou o seu primeiro álbum a solo, Disco de Cabeceira, produzido por Mário Barreiros e composto em parceria com o escritor Valter Hugo Mãe. Todas as letras do disco surgem da colaboração com o autor, conferindo às canções uma densidade poética rara. Singles como Diz (A Verdade), À Força da Nossa Vontade e o dueto com Ana Deus, A Princesa Que Não Quis Ser Salva, revelam a capacidade de Paulo para transformar a palavra em música e a música em narrativa, onde cada frase é cuidadosamente desenhada e cada acorde carrega emoção.

Paralelamente, tem participado como músico de palco e estúdio com os The Gift, e integrou os Comité Caviar, banda de apoio a Pedro Abrunhosa, mostrando versatilidade e sensibilidade em múltiplos universos musicais.

O seu segundo álbum a solo, Dobro dos Sentidos (2010), contou com participações de artistas como Rui Reininho e Mónica Ferraz, ampliando o seu universo sonoro e reafirmando a sua inquietação criativa. Em 2011, gravou ao vivo no Boom Studio uma versão de Telepatia, sucesso dos anos 80 de Lara Li, com a participação da própria autora, Ana Zanatti, provando o seu respeito pelo legado musical português e a capacidade de o reinterpretar com personalidade própria.

Ao longo dos anos, Paulo Praça construiu uma obra marcada pela delicadeza e cuidado com a palavra, pela atenção à melodia e à narrativa. Cada canção é um pequeno universo, cada álbum uma viagem que combina experiência, sensibilidade e autenticidade. No projeto Amália Hoje, nas colaborações com os The Gift ou nos seus álbuns a solo, a sua voz permanece como ponte entre o passado e o presente, entre a tradição e a modernidade, sempre com a intensidade de quem acredita que a música é, antes de tudo, uma forma de tocar corações.

Se é verdade que todos nós temos Amália na voz eu não haveria de ser excepção. A minha geração cresceu habituada à figura tutelar de Amália, divergindo tantas vezes (porque também somos do rock), mas encontrando nela uma referência fundamental para toda a cultura e um povo. Este é o mesmo espírito complexo com que participei neste disco: o do respeito por um património que, directa ou indirectamente, vive em todos nós e o do músico marcado por outras sonoridades que procurou reinterpretar de modo genuíno o fado, o mais tradicional e sagrado dos fados como só pode ser o de Amália. Gravei estes temas usando como amuleto o xaile preto da D. Arlete e, se o fado é destino, quis o destino que a boa sorte criasse enre os músicos deste projecto uma amizade sólida que ficará como prova sempre crescendo, a partir desta belíssima experiência. Com a música, é o que fica: a partilha, porque só assim todo isto se justifica, por uma partilha que agora chegue a toda a gente.

-- paulo praça

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